08 - Parágrafo sobre cap. 4, 5 e 6 - Filosofia da Caixa Preta

Reforça a ideia da fotografia (imagem técnica) ser um meta-código do texto, que é constituído de conceito, e o conceito é o que se busca numa imagem tirada com o aparelho. Tal tarefa não é fácil, já que há inúmeros pontos de vista, informações e escolhas a serem tomadas, limitadas apenas pela “imaginação” do próprio aparelho fotográfico e pela finalidade da imagem, levando o resultado do exercício da fotografia a ser uma incógnita em função deste e da cultura, não da imaginação e/ou genuína intenção do fotógrafo. Mas não seria essa a ordem natural das coisas; não é esperado limitações para algo que já é porventura limitado (de dimensões abstraídas)? E ainda, não é a imaginação um plano diferente do real onde não há limites? As escolhas programadas da fotografia e suas interpretações podem ser influenciadas e arbitrárias, mas dão um ponto de partida nesse mar de possibilidades que é a imaginação do fotógrafo, que acaba inscrita à do aparelho.

O que é lamentável é a escolha de foco que é o que realmente limita o funcionário e o observador. Visa-se desvendar e manipular o interior do aparelho para produzir uma informação inovadora que seja eternizada, sem pensar no “alvo da caçada”, sem refletir sobre o mundo real e simplesmente contemplar o momento. O conceito e a cultura vêm para transformar em lógico e manipulável, moldando-nos à crença de que a realidade perfeita só é produzida a partir da foto perfeita. Porém, quanto mais “ideal” mais distante está do mundo, pois é ainda mais manipuladora, sendo quase imperceptível quando não se tem ideia das intenções que atuam no ato de registrar um momento numa simples cena em papel.

Em suma, o problema não está na imagem em si, mas em como a mente a encara do princípio ao fim.

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